Fazendo do limão uma limonada!

Boa noite,

Como prometi no Instagram, hoje vou falar da trágica experiência que vivi indo para Belém e como transformei essa vivência tão constrangedora em algo bom. Vou contar tudo o que ocorreu…

Essa bolsinha azul é minha medicação injetável que tem que viajar em temperatuta adequada.

Essa bolsinha azul é minha medicação injetável que tem que viajar em temperatuta adequada.

Na última quarta-feira eu e meu marido, viajamos no vôo da TAM JJ 3568 Rio-Belém e fomos submetidos a uma situação vexatória. Com diagnóstico de osteoporose grave e osteonecrose nos joelhos pelo uso de corticoesteróides necessito de muletas para deambular e não posso subir e nem descer escadas. Enviamos o MEDIF(documento em que todo problema é explicado e que comprova a necessidade de auxílio no vôo) com antecedência e recebemos email da TAM que estava tudo certo para nossa viagem. Ao fazer o check-in no aeroporto do galeão no Rio de Janeiro nos foi entregue um cadeira de rodas e nós informamos que eu não poderia subir ou descer escadas mais uma vez. A atendente nos tranquilizou que nosso vôo estaria na plataforma. Quando entramos na área de embarque descobrimos que o vôo estaria no pátio, e ninguém da TAM reservou o ambuLift para eu entrar no avião. Foi aí o primeiro grande constrangimento. O vôo teve que atrasar até a chegada do ambulift. Mesmo numa cadeira de rodas me perguntaram várias vezes se eu poderia andar, se eu poderia subir escadas, eles tinham o documento nas mãos, deveriam no mínimo ter lido ao em vez de ficar me constrangendo com perguntas mal educadas. Sinceramente, acho inacreditável tais perguntas pois eu tenho uma condição transitória em que voltarei a andar, correr, etc . Essas perguntas me deixam triste visto que me fazem ter ainda mais consciência das minhas limitações e eu imagino que seja ainda pior para quem tem uma condição irreversível. Fico pensando que tipo de treinamento essas pessoas recebem?! Nenhum! Porque é muito despreparo e falta de noção para lidar com uma situação como essa. Outro constrangimento foi entrar no avião e todos me olharem como se eu fosse um Alien responsável por estar atrasando a vida das pessoas.E mal eles sabem que a culpa não era minha mas do despreparo da empresa.

Quando estávamos ainda no ar, a chefe das comissárias de bordo nos perguntou sobre a cadeira de rodas e mais uma vez reforçamos que eu não poderia descer escadas e que necessitaria da cadeira em Belém. PARA NOSSA SURPRESA O AVIÃO PAROU MAIS UMA VEZ NO PÁTIO, E O AEROPORTO INTERNACIONAL DE BELÉM NÃO TEM AMBULIFT. Assim, a única possibilidade seria a humilhante situação de ser carregada “no braço” por dois comissários de bordo e um profissional da limpeza(que foi muito solidário pois nada ele tinha com aquilo, quis apenas me ajudar). Por conta da osteoporose qualquer queda nessa situação poderia ter me causado uma fratura.Meu marido gravou a “operação”, eu tenho que fazer muita força com os braços pra ajudar a me sustentar e quase caiu em determinada situação. Quando pegamos o ônibus e chegamos no aeroporto tinham VÁRIAS PLATAFORMAS VAZIAS E PERGUNTEI AO COMISSÁRIO DE BORDO DA TAM O MOTIVO DO AVIÃO TER PARADO NO PÁTIO E FICAMOS MAIS UMA VEZ SURPRESOS COM A RESPOSTA: ” O AVIÃO PAROU NO PÁTIO PORQUE ELE VAI FICAR ESTACIONADO À TARDE INTEIRA EM BELÉM E AS PLATAFORMAS SÃO PARA AVIÕES QUE VÃO CHEGAR E SAIR”. Por ingenuidade e até ignorância não percebeu o que falou. Passamos por essa situação humilhante e vexatória que nos remete a década de 1950 porque o avião não poderia parar na plataforma e depois fazer uma manobra até o pátio PORQUE A TAM NÃO DÁ IMPORTÂNCIA NENHUMA AOS SEUS PASSAGEIROS COM NECESSIDADES ESPECIAIS. Temos toda essa operação atrapalhada registrada em vídeo.

Agora, você deve se perguntar o que eu achei de bom nessa situação. Bem, eu imagino que essa situação seja freqüente na vida de portadores de necessidades especiais, idosos, gestantes, mas poucas pessoas tem condições de lutar por isso após o ocorrido , pois se sentem tão frustradas e envergonhadas que muitos preferem não se expor e o máximo que fazem é processar a empresa, ganhar algum dinheiro mas o que é isso para essas empresas?! Nada!!! Continua sendo muito mais barato pagar o processo do que treinar equipes, comprar aparelhos, investir em segurança. Agora quando a notícia vai a mídia a repercussão é maior. Exigirei uma posição da ANAC !!! Não viajava há muito tempo por questão de saúde, estava nos meus únicos 6 dias desde muito tempo, para relaxar da rotina estressante de médicos e reabilitação que vivo. Mas tive que separar um tempo na viagem e abrir mão de algumas coisas para ser entrevistada e fazer com que o que ocorreu comigo sirva para melhorar e garantir o direito e a segurança de portadores de necessidades especiais.

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Desde que adoeci me prometi que tudo de difícil que vivi seria ou para aprender, crescer ou ajudar outras pessoas. Se o que passei servir pra que outras pessoas não passem pela mesma situação me sinto menos mal. Juntos somos mais fortes!!!

Próximo post conto tudo sobre a viagem e de como foi reecontrar a família!!!

Peço que divulguem o vídeo, e o ocorrido para que chegue nas autoridades competentes e assim a gente consiga alguma resposta. Pois até hoje nem a ANAC,nem a Infraero e nem a TAM responderam sequer um e-mail. Abaixo segue o link de reportagens sobre o ocorrido.

http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/passageira-com-dificuldade-de-locomocao-carregada-no-desembarque-de-voo-da-tam-14738433

http://noticias.r7.com/fala-brasil/videos/cadeirante-e-carregada-para-descer-de-aviao-em-belem-no-para-05122014

http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/v/cadeirante-precisa-ser-carregada-por-tres-homens-para-conseguir-descer-de-aviao/3810486/

Beijos,

C.

Um pensamento sobre “Fazendo do limão uma limonada!

  1. Olá, Cat! Primeiramente, parabéns pela sua capacidade de resiliência! Te admiro muito mesmo!
    Bem… sou Assistente Social e atuo na área da saúde (em um Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF) e fico simplesmente INDIGNADA a cada vez que tomo conhecimento sobre uma situação como a qual você passou, uma vez que luto pela integralidade da atenção em saúde para todas as pessoas e, sobretudo, pelas pessoas com deficiências, pessoas que possuem necessidades de acesso especiais, pessoas que estão momentaneamente com a mobilidade reduzida, enfim… É, no mínimo, uma falta de respeito muito grande!!! Um absurdo os aeroportos, empresas aéreas AINDA agirem com tanta NEGLIGÊNCIA e FALTA DE EDUCAÇÃO para com essas pessoas!!! Isso é uma violação de DIREITOS!!! Com relação aos questionamentos que realizaram, concordo com você que isso reflete a total falta de CONHECIMENTO e QUALIFICAÇÃO dos profissionais para lidarem com as pessoas nessas situações. O que fazem como nosso dinheiro que não se preocupam em ofertar oficinas de capacitação para os profissionais e tornar o atendimento mais HUMANIZADO??? Sim, digo atendimento HUMANIZADO, pois acredito que este conceito pode ser aplicado em todos os campos onde há atendimento direito e indireto a um usuário de qualquer serviço. Você deve mesmo procurar a garantia dos seus direitos via judicial, embora isso não irá “amenizar” o constrangimento. Deveriam exigir, cada vez, INDENIZAÇÕES ALTÍSSIMAS para estes casos, pois quem sabe só assim teriam a iniciativa de realizar mudanças efetivas no atendimento às pessoas que encontram-se com a necessidade de equipamentos específicos para realizarem suas viagens… Bom, fiz uma tempestade de ideias, me perdoe por este texto imenso aqui… Mas foi uma maneira também de “desabafo”, pois a cada dia me deparo com uma situação indelicada, é demais para mim… Beijos! Força sempre, você é uma pessoa lindíssima por fora e por dentro!

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